quarta-feira, 19 de junho de 2013

FOTOGASTRONOMIA: uma tendência atual, unindo a arte e o registro na fotografia de alimentos




Embora o termo fotogastronomia não exista no dicionário, é um neologismo que surge para dar conta de uma área crescente no contexto da fotografia. Posso destacar, pelo menos três motivos me levam a escrever sobre este assunto: primeiro gostar de fotografar, segundo gostar de cozinhar e terceiro porque, como professor de fotografia, me obrigo a pensar em suas áreas de aplicação, nesse caso em particular, com um gostinho especial: o de unir duas coisas que me dão prazer, a fotografia e a culinária.





A foto acima, da Photo Slylist Maggie Ruggiero, exemplifica a ambientação étnica.


Outro aspecto motivador foi constatar que a presença da fotografia culinária nas mídias, publicadas em diferentes suportes como revistas e livros ou nos meios digitais fixos e on line, tem crescido dia a dia e inundado o nosso cotidiano.
Quem não gosta de ver uma bela fotografia de alimentos estimulando-nos ao prazer da boa mesa?





Pumpkin, photo studio, mostra uma bela pizza...


Entretanto, nem sempre as imagens que vemos são produzidas com a qualidade e os cuidados necessários para agradar o leitor, neste caso, acabam gerando o efeito contrário. Embora a quantidade de imagens seja imensa, são poucos os fotógrafos preparados para realizá-las com eficiência.


Constatamos também que o universo gastronômico tem apresentado mudanças substanciais na prática profissional, quer seja por meio da qualificação dos chefs internacionais e nacionais e pelas escolas de culinária no Brasil e no exterior, bem como pela crescente valorização do preparo e apresentação dos pratos, produtos e equipamentos.


A facilidade para a documentação de processos e preparos culinários e, sobretudo a veiculação na mídia, tem requerido da fotografia um aperfeiçoamento contínuo em busca do aprimoramento das técnicas de registro e sua difusão, além disso, a quantidade de profissionais dedicados exclusivamente à elaboração e preparo de alimentos para serem submetidos às seções fotográficas cresceu tanto quanto o desenvolvimento do contexto gastronômico como um todo.


Fotógrafos, estilistas e até cenógrafos passaram a atuar nesse universo munidos de conhecimentos, habilidades e estratégias que reúnem além do domínio culinário um domínio imagético, estético e conceitual capaz de convencer o mais cético dos mortais a compartilhar um prato ou preparo gastronômico com o prazer de um gourmand.





A foto do peru assado produzida pela estilista Maggie Ruggiero é um convite ao paladar.


Entretanto, a veiculação destas imagens, além de serem fixas, não tem como contar com os aromas e sabores típicos dos preparos culinários, nesse caso, é apenas na imagem fotográfica que se concentram os esforços para aumentar a eficiência da informação nesta área.


Não há dúvida de que a fotografia é, de fato, o recurso mais indicado para dar conta desta crescente necessidade e é sobre ela que recaem as exigências de performances cada vez mais eficientes tanto em relação à documentação quanto à apresentação e difusão do trabalho dos culinaristas.


É por meio da fotografia que se constrói a abordagem para mobilizar as pessoas que apreciam a boa mesa cativando-as pela visualidade e, quem sabe, estimulando-as a buscar novas e ricas experiências gastronômicas.





Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho dos fotógrafos tem sido substancialmente reforçado e aprimorado pelo desenvolvimento da tecnologia digital de produção, tratamento e distribuição de imagens. Isso tem proporcionado um crescimento assombroso na quantidade e na disseminação de imagens de alimentos por meio de sites, blogs e demais espaços destinados ou relacionados à culinária no contexto da rede mundial de computadores.


Seja por meio da oferta de serviços como o de restaurantes, bares, hotéis e similares, ou como publicidade da indústria especializada em alimentos e gastronomia como recurso visual para a produção de embalagens temáticas ou mesmo para a divulgação de produtos. Isto requer maior investimento nas técnicas e estilos na criação do material visual disponibilizado nesta área, o que implica necessariamente no aprimoramento dos profissionais da fotografia e da imagem. Nesse sentido duas tendências surgiram e têm sido muito requisitadas nesse contexto: a do Food Stylist e do Food Photographer.





Fotografar alimentos, especialmente os já processados, não é fácil. Para fotografar nesta área, não basta conhecer as técnicas fotográficas, é necessário conhecer também as técnicas culinárias, o que requer dos profissionais maior competência e especialidade.


Muitos dos processos de preparação atuam diretamente sobre a aparência dos alimentos e alteram suas características como coloração, textura, hidratação e outras propriedades que devem ser transformadas mas que produzem efeitos imprevisíveis, logo, boa parte do trabalho do fotógrafo ou do estilista é dedicada à anular ou minimizar os efeitos destes processamentos no intuito de dar aos pratos uma aparência mais natural e agradável.





Pode-se dizer que há duas grandes tendências estilísticas nesse ramo: uma naturalista que busca um olhar mais próximo do real, preciso e técnico e outro, mais expressivo, que valoriza o aspecto plástico, formal e estético. O primeiro pode se mostrar como mais objetivo e generalista e o segundo como mais subjetivo e intimista, tendência estilística que tem ocupado uma boa parte das publicações na atualidade.





Em primeira e em última instância, o que se espera de uma fotografia de alimentos é que ela seja suficientemente estimulante para atrair o olhar e comunicar ao leitor as informações correlacionadas aos alimentos e suas qualidades sensíveis como aparência, preparo, cor, textura, apresentação, iluminação etc.


Por exemplo: num livro de receitas as fotografias querem, por um lado, dar a ideia de como aquele preparo poderá ficar e, por outro, estimular o leitor para executá-lo senão o livro perde sua finalidade e sentido. Acredito que quanto melhor for a fotografia, mais estimulante será para o leitor. Se a foto de um prato for mal feita, penso que não levará ninguém a tentar realizar aquela receita. É a visualidade que convoca nosso olhar e, por meio dele, estimula o apetite. Pode-se dizer que começamos a comer com os olhos.


Para atuar nesse contexto o ideal é se preparar profissionalmente para isso por meio de cursos. Alguns profissionais experientes têm proposto um ou outro workshop como estratégia para introduzir os interessados nesse campo. Penso que seria também muito interessante contar com disciplinas especializadas, em particular nos cursos de gastronomia, assim teríamos, ao mesmo tempo, maior esmero na elaboração e apresentação de alimentos, a qualificação da comunicação e difusão da produção culinária resultando em maior visibilidade para os próprios cursos, como também para os profissionais da gastronomia.


Espero que este texto tenha contribuído com informações suficientes para estimulá-los a pensar sobre esta área, quer como produtores ou... degustadores...