quinta-feira, 18 de outubro de 2012

CINEFOTOGRAFIA: UMA NOVA TENDÊNCIA NA PRODUÇÃO AUDIOVISUAL

Um assunto que tem chamado minha atenção nos últimos tempos é a expansão do campo da imagem. Quer seja o da imagem fixa ou da imagem em movimento. Não há mais fronteiras, especialmente no que diz respeito aos equipamentos que as produzem. Uma câmera de fotografia contemporânea faz filmes, ou seja, imagens em movimento, do mesmo modo que uma câmera de cinematografia é capaz de produzir imagens fixas. Neste caso a fronteira entre um meio e outro é apenas consensual. Eu faço fotografia e você faz cinema mas ambos usamos o mesmo equipamento.
Tradicionalmente, a cinegrafia foi o campo de produção e apreciação da imagem cinematográfica, ou seja o da fotografia em movimento. Recentemente, o termo cinefotografia, um neologismo que vem aparecendo com freqüência para identificar um novo campo de atuação, especialmente aquele coberto pela produção de imagens de caráter informal e pessoal.
Com o surgimento e desenvolvimento das câmeras digitais, passamos a contar com a facilidade, cada vez maior, de produzir imagens em movimento com qualidade por meio de câmeras fotográficas ou câmeras acopladas em aparelhos de telefonia celular. Algumas vezes, tais imagens superam a qualidade das antigas câmeras de vídeo e até mesmo se comparam às câmeras cinematográficas da atualidade.
Tal possibilidade abre um novo nicho: o da produção de imagens em movimento destinadas ao registro de atividades do cotidiano e, na maioria das vezes, produzidas pelo próprio usuário do equipamento.
Esta nova tendência, estimulada pela facilidade de gravação de vídeos por meio de aparelhos celulares, câmeras fotográficas compactas e também daquelas que operam com sensores full HD, cujos resultados são excelentes e podem ser vistos em gravações de vídeos no Youtube, na publicidade e mesmo em algumas séries televisivas americanas. Baixe os exemplos indicados aqui e julgue você mesmo a qualidade dos vídeos produzidos pela Canon 1D Mark IV, por exemplo:clique aqui! e aqui!
No mercado de serviços da área, esta nova tendência tem sido valorizada no contexto dos eventos sociais como casamentos e outras festividades, nos quais as câmeras fotográficas de última geração, além de proporcionarem a documentação fotográfica, têm estendido sua atuação para o registro de cenas em movimento. Tal expansão, além de dispensar as câmeras de vídeo e de cinema digitais, amplia a área de atuação dos fotógrafos de eventos dando-lhes a oportunidade de aumentar seu universo de atuação com os mesmos recursos e investimentos já realizados para seu exercício profissional, bastando para isso se qualificarem como cinegrafistas.
No contexto da documentação pessoal, ou seja, no registro das atividades e eventos que envolvem as pessoas no seu cotidiano, nos seus passeios, nas suas viagens e nas festividades de seus familiares e amigos, tais equipamentos têm sido de grande utilidade e são usados com muita freqüência, mas, nem sempre, com a habilidade necessária. O usuário comum não está habituado a lidar com suas câmeras, tampouco com a construção das narrativas que se dispõem a produzir, isto se deve à falta de conhecimento do equipamento que tem em mãos, além de saber muito pouco dos procedimentos discursivos instituídos pela linguagem cinematográfica. Por ser leigo na área enfrenta dificuldades de toda ordem. Em boa parte, tais dificuldades poderiam ser resolvidas pela leitura dos manuais de operação das câmeras. No entanto, os poucos que se dispõe a ler com atenção tais orientações técnicas nem sempre as compreendem. Os conceitos e a terminologia utilizadas, ao invés de auxiliarem os usuários em seu fazer, aumentam sua dificuldade na operação do equipamento e na construção da narrativa. Além disso, pouco ou nada conhecem dos programas destinados a tratar e editar seus registros, que poderiam dar-lhes características mais profissionais e menos amadorísticas.
Observando este panorama, vemos que pouco tem sido feito para suprir tais dificuldades em relação ao usuário comum, cujo interesse é mais pragmático. Também são poucas as instituições que se dispõem a orientar e promover cursos e oficinas destinadas a tal público. O que se vê é que os cursos destinados à área de cinematografia são essencialmente técnicos ou se destinam à formação de profissionais em nível superior, fora do ambiente do usuário comum.
Gravar imagens em movimento nunca foi tão fácil como hoje em dia. As dificuldades enfrentadas ao longo do tempo para produzir registros imagéticos, compatíveis com as ocorrências do mundo natural, só foram superadas após o surgimento da fotografia. Mais tarde do cinema, que nada mais é do que a fotografia em movimento, este passou a ser o modo de documentar as ações humanas por meio do registro de seus eventos e acontecimentos. Depois o vídeo, imagem eletrônica que veio competir com o cinema, vem dominar o contexto das imagens em movimento e, atualmente, a produção de imagens em meios digitais, fixas ou em movimento, esta é a tendência de produção na área.
Gravar imagens em movimento, inclusive com sons originais, é uma conquista das tecnologias recentes, disponibilizadas nos meios e mídias digitais. Entretanto, produzir estas imagens associadas ao som ambiente ou sons acoplados, embora não seja algo difícil, também não é tão simples. Mesmo considerando que a realização de tais operações não é uma coisa simples para os usuários, também não é impossível realizá-las. Para produzir tais registros há certa dependência de conhecimentos, tanto de cinema quanto de sonoplastia. Tais conhecimentos podem ser obtidos pelo uso dos recursos técnicos disponíveis nas câmeras compactas, como também por meio de programas de edição disponíveis na rede de computadores, para tanto, é necessário conhecer os equipamentos quanto às suas características e possibilidades.
Para dominar este conhecimento é necessário obter algumas orientações em relação ao contexto da imagem em movimento, programas de edição e meios de distribuição dos produtos realizados, como sugestão pode-se buscar um programa de edição como o Lightworks: http://videoeditor.filelab.com.app .
No entanto, há uma carência muito grande de oficinas e cursos destinados a este segmento mais popular o que, na prática, se traduz em boas oportunidades para a oferta de produtos e serviços que visem a orientação, qualificação e desenvolvimento de novas aptidões, bem como de profissionais voltados para este nicho de atuação emergente, seja ele informal ou profissional.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

IMAGEM E ARTE: ORIGENS E DESTINO

De volta à lide depois de alguns tempo, aliás muito tempo, três anos. Nestes três anos mudei de rumo, saí de Londrina, no Paraná, fui para Uberlândia no Triângulo mineiro e depois vim para Florianópolis, Santa Catarina. Posso dizer que acumulei mais experiência, mas por outro lado, tive que deixar de fazer algumas coisas como, por exemplo, atualizar o blog. Retomo isto agora, embora de modo bem acanhado, falando um pouquinho de imagem e arte. Espero poder continuar construindo este canal de informação e a contar com os leitores. Para os apreciadores da arte, indico também o meu site, lá estou com mais freqüência, mesmo porque, é um espaço de apoio pedagógico de minhas atividades docentes na Universidade Federal de Santa Catarina: www.artevisualensino.com.br , bem vindos...


IMAGEM E ARTE: ORIGENS E DESTINOS

Pode-se dizer que a origem das imagens não está vinculada, necessariamente, à origem da arte. As funções ou finalidades que as imagens cumpriam na pré-história não são propriamente, ou primeiramente, estéticas. Estudiosos vinculam sua criação a finalidades rituais ou místicas, essencialmente simbólicas, mas não estéticas.
Acredita-se que o ser humano, tentava, por meio delas, estabelecer um contato com as entidades sobrenaturais que acreditava existir e, deste modo exercer um controle sobre o mundo e, quem sabe, ordenar seu destino. Neste caso, entende-se a questão da arte propiciatória, ou magia simpática, mas é pouco admissível pensar que o conceito de apreciação estética é o que mobilizava a criação no contexto pré-histórico.
Mesmo levando em conta que os elementos que orientam a estética plástica ou visual, enquanto substâncias de expressão, já estavam presentes naquelas obras, não é possível admitir que elas visassem fins exclusivamente estéticos.
Aos poucos, as imagens, deixam de atender exclusivamente aos aspectos rituais e entram no contexto ornamental. Deste modo instauram ou adicionam à sua existência, um novo sentido ou uma nova significação. Sair da parede das cavernas e ocupar as paredes dos templos, túmulos e palácios foi uma mudança de lugar razoável, além disso, alteram e ampliam seu uso e finalidade. Se num primeiro momento, eram destinadas às relações com o sobrenatural, num segundo momento, passam a estender suas funções para outros fins como ornamentar, decorar as paredes dos ambientes passa a ser uma função acoplada à original. Além disso passam a constituir sistemas de informação, narrativos e comunicar dados e percursos culturais, assim é possível admitir que uma imagem pode cumprir uma ou mais funções novas, sem esvaziar os sentidos anteriores.
Um bom exemplo disso são as fotografias publicitárias ou de moda, que operam qualidades e valores plásticos ou visuais com igual ou maior desenvoltura do que um artista, realizando obras dignas da mais sofisticada poética artística. No entanto, a habilidade em articular os elementos plástico/formais não é uma garantia de “artisticidade” por si só. Um fator que define a obra de arte em si é, sem dúvida, sua destinação estética. Toda obra de arte visa sua fruição, apreciação e incorporação estética e não a outro fim que não seja exclusivamente o artístico. Logo, uma obra de arte não de destina a nenhuma outra função pragmática, técnica ou econômica que a desvie de sua vocação original: a expressão artística.