quinta-feira, 17 de julho de 2008

A questão da crítica em Arte

Crítica, feminino de crítico, cuja origem vem do grego kritikós resultando no latim criticu, cujo sentido, no campo da arte visual, se refere à apreciação, julgamento e valoração das obras de arte. A nosso ver, a atitude crítica é sempre uma atitude analítica que, partindo da apreciação, tem o intuito de julgar, estabelecer ou reconhecer valores quer sejam intrínsecos ou extrínsecos aos objetos de análise, mediante comparação ou confrontação com os demais representantes da mesma espécie, lastreados numa mesma cultura ou ambiente social de tal modo que os parâmetros sejam visíveis e plausíveis para aquele contexto. A crítica se faz sobre um determinado conjunto de obras seja ele constituído pela produção de um autor, de um período ou mesmo sobre um dado conjunto que chame a atenção ou mereça destaque no contexto da cultura. Acreditamos que a atitude crítica deva ser sempre analítica e valorativa, ou seja, uma análise cujo resultado seja um julgamento de valor. Entretanto devemos também nos perguntar quais são os valores adequados a uma ou outra circunstância. Não devemos admitir uma crítica absoluta, em que os valores sejam rígidos e definitivos, já que a cultura é um organismo dinâmico e em constante mutação, logo, a crítica mais preciosa é a que se faz à luz da sua própria contemporaneidade. Aquela que analisa, avalia e explica a arte em relação ao nosso tempo e ao nosso entendimento. Ainda que em alguns momentos certos críticos tendam a dirigir sua crítica ao autor e não à obra, ela é importante para balizar o entendimento da arte ou, pelo menos, para nos mostrar a importância que uma mudança de atitudes, no contexto da arte, provoca no contexto da sociedade. Podemos citar como exemplo, o caso da crítica feita a Anita Malfatti por Monteiro Lobato, realizada com extremo mau humor e agressividade, motivada, talvez, pela sua incapacidade de compreender as mudanças pelas quais a arte daquela época passava. Mas, de modo geral, deve-se afastar da crítica mal intencionada, depreciativa já que os parâmetros para julgamento estão na própria obra e no contexto cultural em que ela existe e não no gosto ou no interesse de um crítico em particular. Não se pode admitir a verdade absoluta ou a exclusividade do julgamento ou do pensamento crítico. É necessário que o exercício crítico seja livre e isento de influências e de interesses pessoais, no entanto, é muito difícil atuar com completa isenção de ânimo. Do mesmo modo que a expressão artística é impregnada de valores culturais, crenças e tendências, o texto crítico também estará contaminado pelo um olhar da época, por mais criterioso que seja o crítico. Para que se faça crítica conseqüente, a informação é a base de todo trabalho. Há que se conhecer as diferentes teorias da arte, os diferentes artistas de uma dada época sobre a qual nos debruçamos. Não é possível pretender um julgamento de valor sem que se tenha o conhecimento adequado e um domínio de causa pertinente. É de se esperar que os críticos sejam oriundos do meio em que exercem sua crítica, entretanto, não é incomum que, indivíduos originários de áreas correlatas ou mesmo de áreas completamente diferentes das da arte, exerçam a crítica de arte. O que pode ocorrer, é que, pessoas de diferentes áreas, ao se dedicarem ao pensamento crítico, não o façam com critérios adequados, portanto, suas críticas tendem a ser superficiais. O mais correto é que se dedique com afinco ao conhecimento da arte, mediante um bom preparo intelectual, só assim teremos bons críticos.