domingo, 1 de dezembro de 2013

Fotografia: tratar ou não, eis a questão...




Tratar uma foto significa interferir em algum estágio do processo para melhorar suas qualidades ou características com a finalidade de adequá-las ao cumprimento de suas finalidades ou funções seja no contexto criativo, documental ou comercial. Embora alguns pensem que as imagens fotográficas já nascem prontas e não devam ser tratadas, se olharmos para a história veremos que isto sempre ocorreu, a questão maior é definir que tipo de informação as fotografias revelam e se as intervenções que elas sofrem comprometem ou não a função social para a qual são produzidas.


A brincadeira da caligrafitti.com com o programa de tratamento de imagem e Madona exemplifica bem o que se pensa ao imaginar uma imagem tratada:











Neste sentido tratar uma imagem não é necessariamente transformá-la a ponto de alterá-la, o que é plenamente possível levando em conta a tecnologia digital que temos à disposição no contexto contemporâneo, entretanto, o que motiva o tratamento de uma imagem não é a capacidade de transformá-la, mas sim a possibilidade de melhora-la e ajusta-la ao seu uso ou finalidade.





É bom deixar claro que, no contexto da fotografia documental, jornalística, antropológica ou etnográfica, as alterações não devem mudar o seu significado. Não podem alterar ou adulterar as informações que ela contém como registro de origem, é inconcebível mudar os fatos. O compromisso ético de garantir a manutenção e preservação dos dados originais em relação à tomada da imagem é uma das responsabilidades sociais que o fotógrafo documentarista assume diante da história, portanto, deve se esforçar o máximo para obter a melhor imagem no instante do ato fotográfico e não depois.


A foto de Robert Capa, um dos mais conhecidos fotógrafos de guerras do século XX, mostra isso, inclusive a ampliação mostra a totalidade do negativo, na tentativa de dar mais credibilidade à informação.








Entretanto, quando a fotografia é produzida no campo da Arte, da expressão ou da publicidade, a responsabilidade social não diz respeito à preservação do ato fotográfico em si, mas sim ao destino que se dá a fotografia. No campo da Arte o compromisso é com o sistema de arte e com a expressão. No campo da fotografia dita social, o compromisso é estabelecido entre o contratante e o prestador de serviço, portanto, regido por regras do mercado e do comércio e não pelo compromisso ético e moral, ideológico ou político.




A foto de David la Chapelle, "Burning down the house" com Alexander Mcqueen e Isabela Blow de 1996, mostra a liberdade e imaginação do fotógrafo e, obvio, a produção editorial, a locação, figurinos e o tratamento digital, entre outros...


As fotografias vinculadas à arte ou à área comercial como na publicidade e propaganda, são normalmente tratadas e, em alguns casos, manipuladas e transformadas para obterem o máximo de efeito possível em relação aos seus leitores e apreciadores. É admissível até mesmo que sejam modificadas incluindo e excluindo partes, reforçar, destacar, reduzir ou obliterar dados para que possam cumprir melhor sua função simbólica, comunicativa e comercial. Nem sempre uma boa imagem nasce pronta, dependemos de um refinamento do olhar pois sua qualidade depende das habilidades e da capacidade técnica e estética do criador, caso contrário, o efeito parecerá falso e isso é péssimo em qualquer circunstância.


Com exemplo mostro duas imagens: a primeira que tomei, sem tratamento e a que refiz, via Picasa, tomando por referência a possibilidade expressiva/estética e comunicativa que a imagem me possibilitava, comparem e julguem:









Como vemos há duas situações extremamente diferentes que, embora opostas, convivem num mesmo contexto social: de um lado, as imagens cujos registros devem ser fidedignos e preservados como foram obtidos e, de outro, aquelas que podem sofrer transformações para atingir sua finalidade. Nos dois casos as visões são muito específicas e é essencial que tanto o profissional do registro documental, quanto o da criação, tenham consciência de suas responsabilidades e estejam preparados para realizar suas imagens dentro do segmento social no qual se enquadram com competência profissional, seja ele documental ou criativo.






Hoje em dia, tanto as câmeras quanto os computadores possuem recursos para tratamento de imagem. A simples escolha de uma extensão ou sistema de arquivo para armazenar as imagens na câmera fotográfica já define, de antemão, o nível de intervenção na imagem. Com exceção do sistema RAW (cru) de arquivo, onde é possível manter os dados íntegros como na tomada, os demais sistemas como JPEG, GIF,PNG, TIFF entre outros, empregam meios de armazenamento e compactação que não permitem voltar atrás e obter os dados originais como pareciam no mundo natural no momento da tomada.





O tratamento das imagens também ocorre no computador por meio de programas aplicativos que permitem edição/editoração de imagens. Há vários deles disponíveis atualmente.No contexto comercial o mais famoso é o Adobe Photoshop, um programa de editoração e tratamento de imagens de alta performance para profissionais de imagem. Semelhante a ele, mas de livre acesso, é o GIMP disponível para o público sem nenhum custo.





Outro aplicativo na moda entre os usuários de sistemas de telefonia móvel é o Instagram, um programa de tratamento instantâneo de imagens oferecido gratuitamente para os proprietários de alguns celulares ou usuários de algumas plataformas, sistemas operacionais ou rede sociais. Este sistema possibilita que as imagens tomadas pela câmera de um aparelho celular possam ser maquiadas imediatamente e remetidas aos demais usuários de redes. Na realidade não são programas de edição, apenas modelam a imagem segundo escolhas num conjunto de “tratamentos” pré-definidos no sistema criando a ilusão de eficiência quando, na verdade, o que se faz é a aplicação de uma manipulação previamente elaborada pelo criador do programa.





O mais acessível e eficiente em termos de aplicação e tratamento é o Picasa disponibilizado pelo Google. É livre e acessível a qualquer usuário. É bem eficiente no que diz respeito à interatividade, usabilidade e tratamento rápido, embora seja um programa adequado para computadores e não para tablets e móbiles é uma opção viável para não profissionais em tratamento de imagem.


Rosa:













Como se vê, não há fotografia sem tratamento, a questão é: quando tratar, quanto tratar, o que tratar e como tratar, pois não temos a opção de não interferir ou não tratá-las pois, muitas vezes, as coisas não são o que parecem ser...


Esta é a versão original da foto que coloquei acima como Rosa, na realidade foi uma imagem tomada de um processo culinário, ou seja, da feitura de um caldo de legumes com beterrabas, a ideia de simular uma rosa foi determinada pela aparência e uma ajudinha do recorte e tratamento de cor e contraste.
















Mais uma foto: a da abertura deste artigo, na sua versão original, acho que a versão publicada ficou melhor, não?




Aqui está a foto que abre este artigo.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

ARTE VISUAL e ANATOMIA



As relações do ser humano com a anatomia, fosse humana ou não, sempre foi uma questão presente na expressão artística desde seus primeiros momentos e definiu boa parte do percurso das imagens na Arte. Reproduzir a aparência das coisas foi, para a Arte Visual, um ponto de apoio importante para o processo de comunicação e informação que se consolidou na História da Arte até, praticamente, o Modernismo.


Em alguns momentos da história, mostrar uma imagem que se parecesse com a realidade fazia sentido para os seres humanos e isto se tornou, por muito tempo, uma questão de suma importância para a arte e para a sociedade. Representar nada mais é do que colocar algo no lugar de alguma coisa ausente. É um modo de evocar, referenciar-se àquilo que não está ali para fazê-lo presente no discurso, logo, representações mentais, conceituais e visuais são modos de construir significados. Neste sentido, ater-se à forma, à aparência das coisas é uma maneira de manter-se fiel à existência das mesmas e trazê-las para o discurso de uma maneira convincente, logo, representar algo de maneira semelhante ao que se parece é uma boa estratégia discursiva.


Obviamente, nem sempre as imagens fazem justiça à natureza ou à realidade visual à qual pertencem, parecer-se com alguma coisa já é um modo de dizer o que se pretende com maior ou menor precisão sobre o assunto. Se olharmos para as manifestações artísticas da humanidade, vemos que os primeiros seres humanos criavam imagens com sentido mágico, simbólico, espiritual e não documental ou expressivo, portanto, não havia qualquer obrigação de fazer com que as imagens se parecessem com o que viam. Estas imagens podiam ou não se parecer com as coisas do mundo, a proximidade anatômica era mais uma decorrência da observação e do conhecimento sobre os animais com os quais convivia e dos quais dependia para viver do que resultado de estudos sistemáticos sobre eles.


Entretanto, a representação da figura humana não era uma prioridade nos primeiros momentos, considerando que as figuras criadas eram vinculadas à rituais de magia propiciatória, provavelmente destinadas a facilitar as caçadas e não a conhecer o ser humano.
Embora algumas representações humanas surjam na pré-história, elas não fazem referencias precisas à anatomia, são apenas figuras estilizadas antropomorficamente, como humanoides, mas pouco parecidas com os seres humanos, alguns exemplos podem ser destacados como as Vênus pré-históricas de diferentes locais e períodos:


Venus de Willendorf, Austria


Venus de Hohle Fels, Alemanha





Do mesmo modo que podemos destacar outras imagens do Brasil, como as da Serra da Capivara, no Piauí.


Serra da Capivara, Piauí, Brasil






Entretanto, é na Antiguidade que começam a surgir as manifestações mais próximas à anatomia humana. Nesta época, as manifestações visuais constatam a existência de estrutura óssea, muscular e até mesmo fisionômica, a aparência do modelo influi na construção da imagem.
Seguindo o percurso da Arte Ocidental, vamos perceber que as representações humanas vão, aos poucos se tornando mais humanas e menos estilizadas desde as primeiras manifestações da humanidade como:



Os Orantes sumerianos, que por acaso, não são um bom exemplo de anatomia humana.



Além dos Acadianos



Dos Babilônicos





Assírios




E Persas






No contexto dos Mara Egeu, vamos encontrar as imagens de Cíclades e Creta.




Cíclades







Creta









Embora os Egípcios, por conta do desenvolvimento dos processos de mumificação, tivessem um bom conhecimento anatômico e mesmo da fisiologia, estes conhecimentos não são demonstrados nas representações artísticas, suas imagens eram definidas por convenção e não pela aparência das pessoas.













Na Grécia Arcaica já há pretensões de mostrar uma aproximação maior com o corpo humano, embora a estrutura anatômica seja, praticamente, intuitiva.






















No Período Clássico grego, há maiores preocupações com a anatomia, embora canônica, idealizada e não necessariamente naturalista.









Para os Romanos reproduzir com fidelidade o visível era uma questão de honra.

















Imperador Augustus e Cupido



































Os Retratos Romanos revelam maior aproximação fisionômica

























Arte Paleo-Cristã, a Idade Média não foi um bom período para os estudos de anatomia.








Naquele tempo, as imagens eram bem rudimentares e se preocupavam em narrar uma história ou acontecimento religioso e não em reproduzir o visível.


















Um exemplo é a Arte Bizantina





















Mas é no Renascimento Italiano que a anatomia deixa de ser algo intuitivo e passa a ser estudada e ser desenvolvida como um elemento de significação tão importante para a qualificação do artista a ponto de tornar-se um campo de estudo científico.
A produção artística deste período recebe um reforço extraordinário da observação do mundo e sua transformação em imagem por meio da perspectiva na superfície plana e da escultura no contexto ambiental tridimensional. Um bom exemplo é o escultor Verrochio que mostra uma anatomia humana perfeita.




Renascimento, Davi de Verrochio




















Os primeiros anatomistas deste período foram Mondino de Luzzi, Leonardo Da Vinci, Walter Hermann Ryff, Andreas Vesalius.
Mondino de Luzzi
Mondino de Luzzi, or Mundinus de Liuzzi or de Lucci, (1270 – 1326), anatomista, escritor e professor de cirúrgia que viveu em Bolonha e estimulou a prática da dissecação pública.
Mondino de Luzzi, “Lesson in Anatomy”, originally published in Anatomia corporis humani, 1493.







Mondino dei Liuzzi (1270-1326) assiste ad una dissezione dalla cattedra; incisione tratta da Fasciculus medicinae (1493)









Entretanto, é com Leonardo Da Vinci, (1452-1519), que vamos reconhecer um dos primeiros estudiosos da anatomia humana. Ele não se preocupou apenas com a anatomia, mas também em compreender o funcionamento do corpo humano: a fisiologia.







Sua discussão sobre proporções, a partir do desenho chamado de “Homem Vitruviano”, de 1490, traz o conceito da Divina Proporção para o Renascimento. Talvez tenha sido este um dos pontos de contado de Da Vinci com o interesse pela anatomia.


























Mais tarde, o estudioso Alemão Walter Hermann Ryff, publica em 1542:





"Die Kleyner Chirurgei,“











Com Andrea Vesalius, (1514-1564), os estudos de anatomia vão encontrar seu maior aliado e difusor. Seu livro: De Humani Corporis Fabrica, publicado em 1543 é um atlas de anatomia humana, didático e eficiente para este campo de conhecimento.







Pode-se dizer que Andreas Vesalius foi criador do primeiro livro para estudos médicos.





O tempo passou e Vesalius deixou seguidores um deles, nosso contemporâneo é Gunther Von Hagens. Professor de anatomia, alemão, nascido aos 10 de janeiro de 1945, em Liebchen, é o criador da técnica de Plastinação que, aplicada em cadáveres, é capaz de para preservá-los para o estudo de anatomia. Todavia, ao contrário de manter o corpo fixo, imóvel e disforme, explora a ideia de movimento e, com isso, sugere dinamismo e ação, o que, ironicamente, dá vida ao corpo inanimado.







Suas peças são uma homenagem ao ser humano, à vida e, contraditoriamente, à morte:








Enfim o corpo humano nos atrai mas, nem sempre nos agrada...

quarta-feira, 19 de junho de 2013

FOTOGASTRONOMIA: uma tendência atual, unindo a arte e o registro na fotografia de alimentos




Embora o termo fotogastronomia não exista no dicionário, é um neologismo que surge para dar conta de uma área crescente no contexto da fotografia. Posso destacar, pelo menos três motivos me levam a escrever sobre este assunto: primeiro gostar de fotografar, segundo gostar de cozinhar e terceiro porque, como professor de fotografia, me obrigo a pensar em suas áreas de aplicação, nesse caso em particular, com um gostinho especial: o de unir duas coisas que me dão prazer, a fotografia e a culinária.





A foto acima, da Photo Slylist Maggie Ruggiero, exemplifica a ambientação étnica.


Outro aspecto motivador foi constatar que a presença da fotografia culinária nas mídias, publicadas em diferentes suportes como revistas e livros ou nos meios digitais fixos e on line, tem crescido dia a dia e inundado o nosso cotidiano.
Quem não gosta de ver uma bela fotografia de alimentos estimulando-nos ao prazer da boa mesa?





Pumpkin, photo studio, mostra uma bela pizza...


Entretanto, nem sempre as imagens que vemos são produzidas com a qualidade e os cuidados necessários para agradar o leitor, neste caso, acabam gerando o efeito contrário. Embora a quantidade de imagens seja imensa, são poucos os fotógrafos preparados para realizá-las com eficiência.


Constatamos também que o universo gastronômico tem apresentado mudanças substanciais na prática profissional, quer seja por meio da qualificação dos chefs internacionais e nacionais e pelas escolas de culinária no Brasil e no exterior, bem como pela crescente valorização do preparo e apresentação dos pratos, produtos e equipamentos.


A facilidade para a documentação de processos e preparos culinários e, sobretudo a veiculação na mídia, tem requerido da fotografia um aperfeiçoamento contínuo em busca do aprimoramento das técnicas de registro e sua difusão, além disso, a quantidade de profissionais dedicados exclusivamente à elaboração e preparo de alimentos para serem submetidos às seções fotográficas cresceu tanto quanto o desenvolvimento do contexto gastronômico como um todo.


Fotógrafos, estilistas e até cenógrafos passaram a atuar nesse universo munidos de conhecimentos, habilidades e estratégias que reúnem além do domínio culinário um domínio imagético, estético e conceitual capaz de convencer o mais cético dos mortais a compartilhar um prato ou preparo gastronômico com o prazer de um gourmand.





A foto do peru assado produzida pela estilista Maggie Ruggiero é um convite ao paladar.


Entretanto, a veiculação destas imagens, além de serem fixas, não tem como contar com os aromas e sabores típicos dos preparos culinários, nesse caso, é apenas na imagem fotográfica que se concentram os esforços para aumentar a eficiência da informação nesta área.


Não há dúvida de que a fotografia é, de fato, o recurso mais indicado para dar conta desta crescente necessidade e é sobre ela que recaem as exigências de performances cada vez mais eficientes tanto em relação à documentação quanto à apresentação e difusão do trabalho dos culinaristas.


É por meio da fotografia que se constrói a abordagem para mobilizar as pessoas que apreciam a boa mesa cativando-as pela visualidade e, quem sabe, estimulando-as a buscar novas e ricas experiências gastronômicas.





Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho dos fotógrafos tem sido substancialmente reforçado e aprimorado pelo desenvolvimento da tecnologia digital de produção, tratamento e distribuição de imagens. Isso tem proporcionado um crescimento assombroso na quantidade e na disseminação de imagens de alimentos por meio de sites, blogs e demais espaços destinados ou relacionados à culinária no contexto da rede mundial de computadores.


Seja por meio da oferta de serviços como o de restaurantes, bares, hotéis e similares, ou como publicidade da indústria especializada em alimentos e gastronomia como recurso visual para a produção de embalagens temáticas ou mesmo para a divulgação de produtos. Isto requer maior investimento nas técnicas e estilos na criação do material visual disponibilizado nesta área, o que implica necessariamente no aprimoramento dos profissionais da fotografia e da imagem. Nesse sentido duas tendências surgiram e têm sido muito requisitadas nesse contexto: a do Food Stylist e do Food Photographer.





Fotografar alimentos, especialmente os já processados, não é fácil. Para fotografar nesta área, não basta conhecer as técnicas fotográficas, é necessário conhecer também as técnicas culinárias, o que requer dos profissionais maior competência e especialidade.


Muitos dos processos de preparação atuam diretamente sobre a aparência dos alimentos e alteram suas características como coloração, textura, hidratação e outras propriedades que devem ser transformadas mas que produzem efeitos imprevisíveis, logo, boa parte do trabalho do fotógrafo ou do estilista é dedicada à anular ou minimizar os efeitos destes processamentos no intuito de dar aos pratos uma aparência mais natural e agradável.





Pode-se dizer que há duas grandes tendências estilísticas nesse ramo: uma naturalista que busca um olhar mais próximo do real, preciso e técnico e outro, mais expressivo, que valoriza o aspecto plástico, formal e estético. O primeiro pode se mostrar como mais objetivo e generalista e o segundo como mais subjetivo e intimista, tendência estilística que tem ocupado uma boa parte das publicações na atualidade.





Em primeira e em última instância, o que se espera de uma fotografia de alimentos é que ela seja suficientemente estimulante para atrair o olhar e comunicar ao leitor as informações correlacionadas aos alimentos e suas qualidades sensíveis como aparência, preparo, cor, textura, apresentação, iluminação etc.


Por exemplo: num livro de receitas as fotografias querem, por um lado, dar a ideia de como aquele preparo poderá ficar e, por outro, estimular o leitor para executá-lo senão o livro perde sua finalidade e sentido. Acredito que quanto melhor for a fotografia, mais estimulante será para o leitor. Se a foto de um prato for mal feita, penso que não levará ninguém a tentar realizar aquela receita. É a visualidade que convoca nosso olhar e, por meio dele, estimula o apetite. Pode-se dizer que começamos a comer com os olhos.


Para atuar nesse contexto o ideal é se preparar profissionalmente para isso por meio de cursos. Alguns profissionais experientes têm proposto um ou outro workshop como estratégia para introduzir os interessados nesse campo. Penso que seria também muito interessante contar com disciplinas especializadas, em particular nos cursos de gastronomia, assim teríamos, ao mesmo tempo, maior esmero na elaboração e apresentação de alimentos, a qualificação da comunicação e difusão da produção culinária resultando em maior visibilidade para os próprios cursos, como também para os profissionais da gastronomia.


Espero que este texto tenha contribuído com informações suficientes para estimulá-los a pensar sobre esta área, quer como produtores ou... degustadores...